Dr. House - 1° Temporada

06/12/2017

''É série para ter vários roteiristas e diretores'', praticamente um diretor para cada episódio, e um roteirista para cada arco, e pode ser algo danoso a série. Porém nesse caso nem tanto, beira muito ao meio termo, apesar de ter 22 episodio essa primeira temporada tem pequenos arcos bem trabalhados e construídos em torno do Brilhante e ranzinza médico Dr House.

O enredo do seriado de forma mais técnica é algo incomum, porém comum também. Entenda, a série foca em contar a história de um brilhante médico e sua rotina, que é um cara amargurado e ranzinza. E no decorrer ele tem que lidar com essa falta de empatia ao mundo com seus pacientes. Veja que a sensação de ser algo recorrente e clichê da série está no fato dele ser um cara de meia idade ranzinza, isso é muito visto em filmes infantis. Porém o incomum está nas motivações e traumas que fizeram ele se tornar assim. Em suma, o enredo pega algo mais ou menos clichê e acrescenta novas coisas, ou seja, repaginada.

Vale salientar que essa série é procedural, caso você não saiba eu explico isso em uma outra critica, aproveita e dá uma olhada lá. Clique aqui. Enfim, para quem me acompanha a um tempo sabe que não suporto muito esse estilo de série e que acho um pouco cansativo e enjoativo, porém nesse caso é uma grande exceção, pelo simples fato da proposta do criador de ser uma historia contando sobre a rotina de um médico e mostrar todos os lados entre um médico e um paciente. Então, obrigatoriamente ele precisa seguir esse estilo, pois outro não faria sentindo algum.

Outrossim, é que a história principal é contada em vários momentos do episodio, não seguindo aquela lógica irritante de focar 40 minutos em um caso diário, mesmo que isso apresente e fortaleça características aos personagens. Ela mostra durante vários momentos coisas realmente relevantes ao arco principal, esse que é o diferencial, e isso uns dos fatos que torna a série tão apaixonante.

Sobre a sua história nessa temporada, podemos dividi-lo em três grandes arcos, que tem uma duração de 5 a 7 episódios. E cada um deles, com minha interpretação, trabalham aspectos e áreas da vida do Dr House, exemplo é o arco final que fala sobre seu passado amoroso e como House era. Porém, acontece ganchos mais cedo sobre essas áreas em outros arcos, ou seja, mesmo eles focando em uma área não quer dizer que outra área da vida do protagonista não seja trabalhada, mesmo de forma sutil.

Sobre o primeiro arco, ele serve como apresentação geral mesmo, em si a primeira temporada trabalha nisso, e ela é bem pretensiosa nisso pois pensando naquela época, eles (diretores e roteiristas) acreditaram que essa série vingaria. Em conclusão vigou. Enfim, essa mini história contada em vários episódios só mostra basicamente o ritmo de como será a série e como funcionará cada episódio, mostra a habilidade de dedutiva e observatório de Gregory House. Eu particularmente adoro essas deduções dele, me lembra muito Sherlock Holmes, talvez esse aspecto foi inspirado nas histórias de Arthur Conan Doyle.

Além disso temos o segundo grande arco, que foca muito na questão profissional de House, e sejamos sinceros isso é notório desde o primeiro episódio. Pelo simples fato de um médico com um aspecto de velho, sem cuidar muito da sua aparência sem os principais instrumentos básicos de um médico, estetoscópio e o jaleco branco. E sem se importa em pegar casos que considere comum, ou seja, o fato de pegar casos extraordinariamente incomuns e raros. Somando tudo isso olhando como uma pessoa de fora, podemos concluir que ele não é um bom médico com esses quesitos. Contraditoriamente ele é excelente em resolver casos raros e de difícil diagnostico. Então podemos entender o embate desse segundo arco, de forma superficial é claro. O fato é que no meio da temporada entra um personagem novo, um empresário que investe no hospital e que quer tocaá-lo ele como uma empresa, de certa forma não acho errado esse ponto de vista. Em suma, será esse novo personagem, Edward Volger contra o Dr House sobre esse aspecto.

E por fim temos o grande terceiro arco, de maior importância. Porém não só os únicos, enfim, esse é basicamente o exemplo dado. Segue no âmbito do amor, do coração. Para aqueles que acham que pessoas ranzinzas não amam, o doutor mostra ao contrário. Pra mim sem duvida é melhor de todos e uma história bem montada pelos roteiristas. Apesar de que nunca é um escrevendo os arcos e sim uma variância e isso é impressionante como eles conseguem dá o mesmo aspecto do anterior e manter a constância do episódio.

Como funciona cada episódio? Bom segue uma ideia simples, mostra uma pessoa vivendo a vida de um jeito, como nanando ou jogando bola ou conversando. De várias maneiras, e de repente ela sofre algum ataque ou começa sangrar por um lugar que não deveria. E depois vem a vinheta, que para mim é bem marcante, adoro aquela musiquinha. E depois entra o episódio em si. Bom a construção dele é padrão de uma história, a introdução segue a linha de alguém tentar convencer o House pegar o caso. O desenvolvimento é os cuidados do paciente tendo primeiramente um lapso de melhora e logo uma piora surpreendente. E a conclusão é quando depois de algumas tentativas e erros de diagnóstico, os médicos acertam o diagnóstico finalmente. Provavelmente você está se perguntando como não se enjoar disso. E eu lhe responde meu jovem ranzinza, cada paciente trás consigo algo básico do ser humano. Nossa bagagem. Dentro dela nossa personalidade, crenças e medos. Além do mais, apesar do arco principal, eles trabalham sobre preconceitos como racismo, ''gordofobia'', homofobia em situações curiosamente comuns ou não tão comuns assim. E é claro que de 22 episódios tem coisas que ficam a desejar. Mas no panorama geral todas essas sub tramas e mini arcos de um só episódio, são bem trabalhados.

O Elenco principal é relativamente pequeno. Porém o elenco de forma geral é grande porque existem inúmeras participações de atores e atrizes de diversos estilos de filme. E até pessoal que está ingressando no mundo cinematográfico. Então esses coadjuvantes que fazem o papel de pacientes e acompanhante em cada um dos episódios podem ser interpretados como um ''corpo'' só. É claro que cada um tem sua eventualidade positivas ou negativas, porém se for falar de cada um, essa resenha/critica ficará quilométrica. Sejamos justos eu irei dar as menções honrosas para alguns.

Os que mais se destacaram, obviamente foram os que mais apareceram na temporada e poderão demonstrar o seu trabalho. O resto, bom fica complicado analisá-los em momentos esporádicos de um episódio de 40 minutos. Se ao menos fosse bem maiores suas participações com certezas eu falaria deles. Enfim, a primeira é a atriz Sela Ward que interpreta Stacy Warner. E tem uma grande relevância na história e aparece no último grande arco. Sua grande atuação está na relação entre Stacy e o Gregory, pois ela consegue de certa forma transmitir algo mais ''palpável''. Em outras palavras torna a empatia do espectador à série bem melhor.

Um outro grande coadjuvante e relevante para a história é o personagem Edward Vogler, que de certa forma citei um pouco mais acima ele brilha quando entra em diálogo com House, tentando aplicar algum tipo de ética ou moral comum da gente nesse médico. O seu intérprete é Chi McBride. Outro ator fantástico com excelente trabalho como chefe, porém senti um pouco de alivio quando o personagem, não confunda com o ator, sofreu uma reviravolta na história.

O resto dos coadjuvantes e participantes, repetindo são inúmeros. Temos atores famosos como David Henrie, Currie Graham, Skye McCole Bartusiak e assim vai. Já outros com atuações fantásticas e convincente como Daryl Sabara (Para mim o melhor de todos os que participaram, senão me engano o episódio dele é o 9 ou 10), Sarah Clarke, Vivian Bang, Dominic Purcell e John Cho. Em suma há uma quantidade enorme de participação e é cansativo falar de todos, eu falei desse mais por causa de sua bela atuação e pelos seus pais e nome na praça.Outrossim é o elenco principal, como a série tem 8 temporadas e pretendo fazer de todas, eu irei trabalhar não agora todos de vez, porém os mais notórios ou que eu perceba que irão acabar saindo. A depender da temporada falarei desses atores e tentarei abordar a evolução do ator e de seu personagem se ocorrer.

O primeiro dele e o que não poderia deixar para depois é o Hugh Laurie.

Sobre o autor, é do tipo de ator que especulando aparenta não procurar grandes filmes ou obras meramente por tutu, grana, ''bufunfa'', dinheiro. Se você parar para pesquisar sua biografia, especificamente filmografia perceberá que ele participa e atua em papeis que tenham uma certa complexidade entendimento e profundidade. O único, que talvez você conheça é o Dr. House, porém teve outros como Richard da série The Night Manager. Mas vale a observação que nem todos os papeis são profundos, teve atuação que ele era o ladrão dos 101 dálmatas. O Jasper. Que de certa forma é um bom filme e creio que fez parte da infância de muitos leitores.

Enfim, voltando sobre o ator, privadamente ele entra fácil na minha lista de atores prediletos, os queridinhos do tio. Brincadeiras a parte. Eu gosto muito mesmo do trabalho feito dele como o médico de Dr House. Apesar que em comparações a outras temporadas ele se sai muito melhor que a primeira. Porém o foco é a primeira, sobre ela ele consegue transmitir uma empatia e raiva do médico ao mesmo tempo, e isso ratificando aos leitores fieis é difícil. Repito, é algo trabalhoso transmitir sentimentos ou causar sentimentos antagônicos. E que consiga te convencer de tal forma que você se sente espectador ao vivo de tudo o que ocorre. Em suma, eu adoro a atuação dele e só tende a melhorar em outras temporadas.

Sobre o seu personagem, o renomado e controverso médico Doutor Gregory House que ele interpreta. Bom é uma das personas mais complexas e rasas ao mesmo tempo. Baseado em minha interpretação eu enxergo ele um ser complexo, visto que ele enfrentou tantas batalhas e problemas para chegar onde chegou, claro não é um lugar que alguém queira, mas digo isso no âmbito do seu intelecto, pois não chega ser algo ''viajado'' e sim palpável a sua inteligência e esperteza. Porém você pode simplesmente interpretá-lo como um viciado em remédio, egoísta, narcisista, egocêntrico, orgulhoso, frio, calculista, sem ética, mal caráter e capenga. Está errado? Bom não está, porém essa é a parte mais rasa dele. Sua funcionalidade é bem simples, resolver casos difíceis para médicos convencionais e provar sua inteligência. Além disso ele tenta lidar com sua dor crônica na perna. Informações mais do que isso eu acabarei estragando sua experiência com a série, e é uma coisa que meu amigo eu realmente não quero.

Uma outra grande atriz que preciso falar, mesmo de forma resumida é Jennifer Morrison. Que interpreta a Dra. Allison Cameron. A sua atuação é boa, e muito mais relevante a história do que de seus colegas. E claro a sua personagem é bem mais complexa e trabalhada pelos roteiristas, logo demanda uma performance notória. Sobre sua personagem, além de ser como uma ''mãe'' para os seus colegas ela chega a ser aquela mulher caridosa, doce e gentil. Porém em dados momentos essas características são bem irritantes, sinceramente. Mas não me leve a mal, tem situações que os diretores e roteiristas mostram que as vezes ser frio e calculista aparenta ser a melhor saída.

Sobre o resto da equipe e os ''amigos'' de House, falarei em momentos posteriores, fiquemos com esse, por motivos de serem o que mais chama atenção na temporada.

Sobre edição, falando mais de forma geral é boa. Talvez o que chame mais atenção são os efeitos gráficos mostrando nossos órgãos e como funciona, e isso é bem legal mesmo. Sobre a montagem de cenas, é aquele padrão de corte, uma cena de transição e vai para algum outro ator em cenário diferente, ou ''basicão'' tela preta (que deveria ir para as propagandas, mas na Netflix não tem isso. Chupa capitalismo, ou não) e entra outra cena. Com a musica tema de fundo. Mas uma coisa que vale salientar, quando os atores se movimentam eles se utilizam de praticamente quase todos os recursos, telas tremidas, corte e tela preta e até é melhor para o entendimento de que aquela cena continua.

Sobre trilha sonora é boa, particularmente não faz meu estilo musical. Mas reconheço e dou o valor que é um ponto muito positivo vindo da série, porém a depender das pessoas que assistam será algo que esperará o fim do episódio para descobrir a trilha sonora utilizada para dar aquele impacto final ou algo que se torne um clichê, e digo isso em um tom negativo. Em suma, temos também aquela musiquinha tema, que é bem marcante, pelo simples fato de ocorrer de você se apegar à série.

O cenário é algo um pouco engraçado, pois os diretores tentam de certa forma fugir dos cenários óbvios basicão, como o quarto, sala de diagnóstico, administração, saguão e a clínica. Aparentemente parece ser vasto o cenário, de certa forma existem vários cômodos, porém ficam limitados no hospital, isso de certa forma fica enjoativo. Então nessa tentativa de quebrar esses aspectos, os diretores forçam umas cenas em lugares que sua reação é bem tipo ''wtf'' e que fogem mais ainda da realidade quebrando a imersão a série.

Considerações finais. Bom, obviamente as primeiras temporadas tem um dever árduo, em apresentar a essência da série, proposta e os personagens. Porém há aquelas séries que não estão ligando em criar um suspense ou curiosidade, em suma, artifícios que te prendam a ela logo de cara. O que acontece que House ''bebe'' dessas duas fontes. Devido a sua estrutura procedural e que no fim dos primeiros episódios não temos algo a se agarrar. Todavia, o que fez eu me encantar pela série foi a personalidade do House, aquele seu lado sarcástico, irônico e ''pn'' para o mundo. Somado a isso uma leve afinidade a área de saúde.

Em suma, talvez esses motivos te convençam e façam você querer acompanhar e até maratonar. Ou faça odiar logo de cara quando aparecer aquela bengala e ele usando uma ironia. Ou talvez você não entenda as referências e ''piodacas'' apresentadas. Contudo, aonde eu quero chegar é que essa série é muito 8 ou 80, ou você ama de cara ou você odeia de cara. Digo isso porque tem muita gente que eu conheço e é da área de saúde e não suporta esses tipos de séries, principalmente essa.

Enfim, as partes técnicas dela são boas, as edições são razoáveis e aceitáveis. Trilha sonora é bastante legal, os personagens na sua grande parte são cativantes e tem boa ''química'' entre eles. A história, apesar de dados momentos ser muito viajada, trabalha com vários temas comuns e incomuns de forma clara e objetiva. Então posso afirmar que a nota pode chegar a um 9 facilmente, porém até aí. Apesar de ser fã e umas das poucas séries que acompanhava que era guri, admito que essa temporada em si não chega ao potencial de outras. E mesmo sem comparar ela peca em algumas ''forçação de barra''.

Uma boa medida para os leitores que querem aumentar seu repertório de ironia e sarcasmos, esclarecer mais ou menos como é o estilo de vida de uma pessoa da área de saúde, e o mais importante, como não agir feito um babaca.

Escrito por: Tauan Santos

Obs¹: É serie pra ter vários roteirista e diretores, como frase inicial eu comecei a crítica, e realmente meus amiguinhos, praticamente são um roteirista e um diretor pra um episódio. Como já falei o que acho disso, o que importa nessa observação que optei não por colocar os créditos, pois ficaria muito poluído de nomes que provavelmente quase ninguém ia parar para ler. Enfim deixarei o link de um site que dá os devidos créditos.
https://www.adorocinema.com/series/serie-238/temporada-19806/elenco/

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